O Tykerb (lapatinibe) é nomeado no Anexo II do Rol da ANS (RN 676/2026), na seção Mama, para tumor HER2 positivo. A cobertura tem duas condições cumulativas: falha prévia ao trastuzumabe, e uso associado à capecitabina ou ao letrozol. Se o seu plano negou, peça a recusa por escrito, com o motivo e a cláusula, o que o artigo 14 da RN 623/2024 obriga a operadora a entregar. É um caso particular da negativa de medicamento de alto custo.

Verificado em 10 de setembro de 2026: situação no Rol conferida no Anexo II da RN 676/2026, preços na lista CMED de 11/08/2026, jurisprudência no levantamento de 18/08/2026.

O que é o Tykerb e para que ele é indicado

O Tykerb é o nome comercial do lapatinibe, inibidor de tirosina-quinase que age sobre os receptores HER2 e EGFR. É comprimido de uso oral, tomado em casa, com registro na Anvisa — a data do registro não foi conferida nesta fonte. É indicado para câncer de mama com superexpressão de HER2, avançado ou metastático, sempre em combinação com outro fármaco. É o único medicamento desta série voltado à população HER2 positiva: Ibrance e Kisqali, da mesma classe de antineoplásicos orais, tratam a doença com receptor hormonal positivo e HER2 negativo — perfil oposto.

O Tykerb está no Rol da ANS?

O Tykerb está no Rol da ANS. O lapatinibe consta do Anexo II da RN 676/2026, na página 74, na relação de Mama, grafado "Lapatinibe, Ditosilato de" — a RN 676/2026 é a redação vigente desde 3 de agosto de 2026.

O critério transcrito da diretriz é este, sem paráfrase:

"Tratamento do tumor metastático HER2+, após falha de trastuzumabe, em associação com capecitabina ou letrozol."

São duas condições cumulativas, e as duas amarram o Tykerb a outros dois fármacos nomeados por extenso na diretriz. A primeira é a falha prévia ao trastuzumabe — o Herceptin, pela via injetável —, o que situa o Tykerb como segunda linha ou posterior. A segunda é o uso associado: com a capecitabina, o Xeloda, ou com o letrozol, inibidor de aromatase para pós-menopausa. O Tykerb nunca é pedido sozinho quando a diretriz é o fundamento: o laudo precisa nomear os três fármacos e a sequência entre eles.

Uma síntese auxiliar, de ferramenta de inteligência artificial e não conferida em ementa, detalha ainda mais a diretriz — imuno-histoquímica 3+ ou ISH/FISH positivo, e falha a antraciclina, taxano e trastuzumabe. É compatível com o texto oficial acima, mas não substitui a leitura direta do Anexo II.

Por que o plano nega o Tykerb

A negativa do Tykerb costuma chegar por um destes caminhos.

Uso off-label e exclusão contratual. É o motivo mais recorrente nas decisões localizadas: a operadora nega alegando que o uso foge da bula ou que o contrato exclui o fármaco, sem examinar se o caso preenche a diretriz.

Alegação de não preenchimento da diretriz. A operadora argumenta que o paciente não comprovou a falha prévia ao trastuzumabe ou a associação exigida. O levantamento de jurisprudência não localizou nenhum caso em que essa alegação tenha vencido — mas ela continua sendo levantada, e o laudo precisa neutralizá-la desde a inicial.

Litispendência, quando a doença progride e o médico troca o esquema. Quando o paciente já obteve outro fármaco por decisão anterior — por exemplo, o trastuzumabe injetável — e passa a precisar do Tykerb, a operadora às vezes alega que se trata da mesma ação. Não é: pedido e causa de pedir mudam com o fármaco.

O que os tribunais decidiram sobre o Tykerb

Sobre o Tykerb contra operadora de plano de saúde, o levantamento de 18 de agosto de 2026 catalogou seis decisões favoráveis ao paciente e nenhuma desfavorável de mérito. É o único fármaco desta série de câncer de mama em que não se perdeu, contra operadora, nem o custeio, nem dano moral, nem coparticipação, nem astreintes.

TJ-RJ, Apelação Cível 0842631-88.2023.8.19.0203, 18ª Câmara de Direito Privado, publicada em 19/12/2024, manteve fornecimento e dano moral de R$ 8.000,00, rejeitando a litispendência entre Lapatinibe e Trastuzumabe pedidos em ações distintas:

"Não se configura litispendência (...) uma vez que o medicamento solicitado nesta demanda (Lapatinibe VO) é distinto daquele requerido no processo anterior (Trastuzumabe SC) (...) as cláusulas que excluem cobertura para medicamentos necessários ao tratamento de doenças cobertas pelo contrato são abusivas."

TJ-PR, Apelação Cível 1.553.839-9, 8ª Câmara Cível, publicada em 24/08/2016, manteve fornecimento e dano moral, com a fórmula que sustenta a reparação pela espera:

"Recusa injustificada na cobertura de quimioterapia consistente no fornecimento do medicamento Tykerb (Lapatinib) (...) danos morais evidenciados pela angústia e aflição na espera do medicamento."

TJ-SP, Apelação Cível 1007181-07.2015.8.26.0100, 7ª Câmara de Direito Privado, publicada em 11/03/2016, manteve a cobertura após o descredenciamento do hospital onde o tratamento começara:

"Diagnóstico de câncer de mama com metástase no pulmão (...) medicamentos experimentais indicados pelos médicos ('Navelbine' e 'Lapatinib'), a despeito do descredenciamento (...) interrupção do tratamento, de forma abrupta, pode causar prejuízos graves à saúde do paciente."

Contra o Estado, o levantamento encontrou quatro decisões favoráveis e uma desfavorável de mérito. A mais relevante é do TJ-DF, Acórdão 2037078, 2ª Turma Cível, publicado em 14/09/2025: em retratação pelo Tema 6 do STF, o fornecimento foi mantido com cumprimento só parcial dos requisitos:

"O NATJUS reconheceu o cumprimento parcial dos requisitos (...) mas confirmou a inexistência de alternativas terapêuticas no SUS e a adequação do medicamento à condição clínica."

Quando o pedido de Tykerb costuma falhar

Contra operadora, o levantamento não localizou nenhuma derrota de mérito. Isso descreve o acervo consultado, não o universo das decisões brasileiras: ausência de derrota localizada não é garantia de resultado.

Contra o Estado, existe uma derrota de mérito real — mas ela é de 2011, anterior a toda a regulação hoje aplicável. TJ-SP, Apelação e Remessa Necessária 0071450-40.2009.8.26.0114, publicada em 30/01/2011, negou o Tykerb por dois fundamentos: a via era mandado de segurança, que não comporta prova pericial, e o Estado alegava que o CACON já oferecia tratamento oncológico integral. Mandado de segurança é a via errada para antineoplásico oral de alto custo, porque a instrução probatória decide o caso; e tratar-se em CACON exige que o laudo diga, especificamente, que aquele fármaco não é dispensado pela unidade.

Dois precedentes adjacentes merecem registro, embora não sejam de lapatinibe. Um do TRF-4 e outro do STF negaram, em 2026, medicamentos anti-HER2 de outra geração — trastuzumabe deruxtecana e trastuzumabe entansina — por não enfrentarem item por item os requisitos do Tema 6, mesmo com parecer favorável do NATJUS em um dos casos. Descrevem o risco de tese de todo antineoplásico não incorporado ao SUS: parecer favorável do NATJUS, sozinho, não blinda a decisão.

Quanto custa o Tykerb

O preço do Tykerb vem da Lista de Preços da CMED de 11 de agosto de 2026. É teto, não média: o máximo que pode ser cobrado.

Item Apresentação Preço máximo na farmácia (ICMS 21%)
Tykerb (lapatinibe) 250 mg, caixa com 70 comprimidos R$ 9.877,50

É o medicamento mais barato de todo o grupo de antineoplásicos orais para câncer de mama desta série — cerca de um quarto do preço do Verzenios. A lista CMED não registra genérico do lapatinibe, o que retira força ao argumento de substituição por custo.

Uma ressalva de custo total. A diretriz exige associação com capecitabina ou letrozol — o custo do tratamento completo soma os dois fármacos, não só o Tykerb. A posologia combinada não foi conferida em bula, e a página não calcula um total.

O que o relatório médico precisa dizer para o Tykerb

No Tykerb, o relatório precisa provar as duas condições cumulativas da diretriz, não apenas prescrever:

  • O diagnóstico com o CID-10 e a confirmação de câncer de mama avançado ou metastático.
  • A superexpressão de HER2, com o exame que a comprova.
  • A falha prévia ao trastuzumabe, com datas e o motivo da progressão ou intolerância.
  • O fármaco associado — capecitabina ou letrozol —, com a justificativa da escolha.
  • A ausência de alternativa adequada na cobertura contratada.
  • A consequência da demora, com o tempo de espera documentado — sustenta o dano moral, quando cabível.

Documentos e prazos antes de ir à Justiça

A ação sobre o Tykerb exige três documentos e um prazo antes do protocolo. A negativa por escrito, com motivo e cláusula, é direito do beneficiário pelo art. 14 da RN 623/2024. Guarde também prescrição, relatório médico e o protocolo de cada contato.

O prazo corre pela RN 566/2022, art. 3º — que revogou a RN 259/2011, ainda citada por boa parte do que circula — e são 10 dias úteis para antineoplásico oral de uso domiciliar. A reclamação na ANS pela NIP costuma resolver antes do processo: veja os prazos da ANS e a reclamação pela NIP. Havendo divergência técnica, cabe a junta médica de desempate.

Tykerb pelo SUS: o que muda

Contra o SUS, o litígio do Tykerb muda de eixo: o lapatinibe não consta como incorporado, o que as próprias decisões favoráveis reconhecem ao aplicar o Tema 6 do STF (RE 566.471) e seus requisitos cumulativos — ausência de alternativa eficaz no sistema público, imprescindibilidade clínica com evidência científica, e hipossuficiência do paciente. O TJ-DF, citado na seção anterior, mostra que cumprimento parcial desses requisitos pode bastar, quando a inexistência de alternativa e a adequação clínica estão provadas.

Dois cuidados processuais adicionais. O Tema 793 do STF exige a inclusão da União no polo passivo quando o medicamento não consta dos protocolos do SUS para a doença, e o Tema 1.234 desloca a competência para a Justiça Federal a partir de determinado valor anual de tratamento — o limite de 210 salários mínimos apareceu nesta pesquisa sem respaldo em ementa, e não é afirmado aqui como número conferido. Para não perder a liminar nessa mudança, o art. 64, § 4º, do CPC permite pedir a preservação dos seus efeitos.

Perguntas frequentes sobre o Tykerb

Quando o plano de saúde é obrigado a fornecer medicamentos?

Quando o medicamento tem registro na Anvisa e o caso se enquadra na cobertura contratada. O de uso domiciliar pode ser excluído pelo art. 10, VI, da Lei 9.656/98, com exceção para o antineoplásico oral, do art. 12, I, "c", e II, "g". O lapatinibe está nas duas hipóteses: é antineoplásico oral e é nomeado no Rol.

O que fazer quando o plano de saúde nega tratamento?

A recusa do Tykerb costuma se apoiar em uso off-label ou exclusão contratual. Peça a negativa por escrito, com motivo e cláusula, como determina o art. 14 da RN 623/2024. Reúna prescrição, relatório médico e protocolos, e registre a reclamação na ANS pela NIP. Havendo divergência técnica, peça a junta médica antes de judicializar.

Qual é o tema repetitivo 990 do STJ?

Fixou que a operadora não é obrigada a fornecer medicamento sem registro na Anvisa — REsp 1.712.163 e 1.726.563, Segunda Seção, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgados em 08/11/2018. É tese sobre registro, não sobre Rol, e não alcança o Tykerb, que tem registro na Anvisa. O tema sobre requisitos contra o Estado é outro, o Tema 6 do STF, tratado na seção sobre o SUS.

Preciso já ter usado o Herceptin antes de pedir o Tykerb?

Sim. A cobertura exige falha prévia ao trastuzumabe, o Herceptin. O relatório médico precisa documentar o esquema usado e o motivo da progressão ou intolerância antes de o Tykerb entrar como opção seguinte.

O Tykerb precisa vir com capecitabina ou com letrozol?

Sim, é a segunda condição cumulativa da diretriz. O critério exige associação com capecitabina — o Xeloda — ou com letrozol, e o laudo precisa justificar a escolha entre os dois.

O Tykerb tem genérico mais barato?

Não, segundo a lista CMED consultada, que registra apenas a marca Tykerb. É também o medicamento mais barato deste grupo de antineoplásicos orais para câncer de mama.

Como esta página foi verificada

A situação no Rol. O lapatinibe consta do Anexo II da RN 676/2026, página 74, seção Mama, grafado "Lapatinibe, Ditosilato de", com o critério transcrito nesta página sem paráfrase. É a Diretriz de Utilização nº 64 — Terapia Antineoplásica Oral para Tratamento do Câncer, cujo bloco de substâncias vai da página 68 à 77 do Anexo II (a DUT nº 65 abre na 78). A fronteira foi lida no próprio PDF oficial em 10/09/2026, não deduzida.

Os preços. Lista de Preços da CMED de 11 de agosto de 2026. É PMC com ICMS de 21%, para a única apresentação registrada, de 250 mg em caixa com 70 comprimidos.

As decisões. Acórdãos que nomeiam o lapatinibe ou o Tykerb na ementa, no levantamento de 18/08/2026 (novos/cluster-mama-orais.md), em duas buscas independentes — operadora e poder público. Divergência resolvida antes da publicação: o resumo do arquivo cita quatro fichas adicionais, mas a lista discriminada enumera só três. Usa-se a lista discriminada — seis favoráveis, nenhuma derrota de mérito.

O que ficou pendente. A data do registro do lapatinibe na Anvisa e o número específico da diretriz do Anexo II não foram conferidos nesta fonte — só a página, a seção e o critério transcrito. Relator e órgão julgador de nenhum acórdão citado constam como conferidos: vieram do bloco de metadados da ferramenta de pesquisa, não do corpo da ementa. O limite de 210 salários mínimos do Tema 1.234 não tem respaldo em ementa localizada. As duas decisões de 2026 sobre trastuzumabe deruxtecana e entansina são registradas como risco de tese, não como precedentes do Tykerb. O Kisqali e o Ibrance, da mesma classe mas de população biológica oposta, servem de contraste: não usar o raciocínio de um fármaco na peça do outro.

Quem assina

Bruno Tiburcio (OAB/PE 34.410) e Gabriella Loreto (OAB/PE 36.505), do escritório Tiburcio & Cavalcanti Advogados.

Esta página é informativa e não substitui a análise individual do caso: o enquadramento de cada paciente depende de documentos que só o exame concreto revela. O quadro geral da matéria, com os cinco critérios da ADI 7.265, está na página principal.